A estratégia chinesa para o hidrogênio verde deve reconfigurar padrões de custo, escala e competitividade no mercado internacional. A avaliação é da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), que acaba de divulgar a nota técnica “Atravessando o Rio – Nota sobre a Estratégia e o Roadmap Chinês para o Hidrogênio Verde”, documento que analisa o plano estruturado pelo governo da China para consolidar o hidrogênio renovável como pilar estratégico do desenvolvimento industrial do país.
Segundo a análise da entidade, a China adotou um modelo institucional baseado no conceito “piso nacional + ambição provincial”. A meta central é considerada conservadora, produção entre 100 mil e 200 mil toneladas por ano até 2025, mas a execução é descentralizada, com províncias competindo em escala e inovação, combinando eletricidade renovável de baixo custo com ganhos de manufatura para alcançar paridade com o hidrogênio fóssil.
O planejamento chinês também segmenta a produção por geografia e infraestrutura. Megabases de geração renovável no Norte e Noroeste, com forte presença de energia eólica e solar, são conectadas a polos industriais no Leste e no Sul por meio de corredores logísticos e dutos dedicados, transformando energia limpa em insumo industrial estratégico.
O roadmap está estruturado em três fases: incubação e demonstração até 2025; comercialização e busca de paridade econômica até 2030; e diversificação sistêmica até 2035, com visão de longo prazo até 2060, quando o hidrogênio renovável deverá ocupar posição dominante na matriz energética chinesa.
Entre as aplicações prioritárias destacadas estão a substituição do hidrogênio fóssil na indústria química, no refino e na produção de metanol; o uso em DRI (redução direta do minério de ferro) na siderurgia; o abastecimento de transporte pesado; além do papel do hidrogênio como armazenamento sazonal e instrumento de flexibilidade da rede elétrica.
Para a ABIHV, o diferencial do modelo chinês está na combinação entre direção central e experimentação regional, que acelera a curva de aprendizado, reduz custos e redefine padrões tecnológicos e de oferta. Esse movimento, segundo a entidade, tende a impactar cadeias globais de equipamentos, financiamento e certificação, além de estimular a formação de hubs integrados com renováveis dedicadas e contratos industriais de longo prazo.
Confira a íntegra da nota técnica: Atravessando o Rio Sentindo as Pedras – Nota sobre a Estratégia e o Roadmap Chinês para o Hidrogênio Verde.