Setor busca avançar na regulamentação e consolidar ambiente de negócios para garantir protagonismo do Brasil na transição energética

A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) lançou, nesta terça-feira (17), na Câmara dos Deputados, a Agenda Estratégica 2026 do setor, em um movimento de articulação política para avançar com pautas prioritárias ainda no primeiro semestre. O evento reuniu mais de 120 participantes, entre parlamentares, representantes do governo, especialistas e lideranças da indústria.

A iniciativa contou com o apoio do deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que abriu a cerimônia destacando a importância de alinhar o Congresso Nacional às oportunidades da transição energética.

“O Brasil tem uma oportunidade histórica de liderar a nova economia verde. O Parlamento precisa estar conectado a essa agenda, garantindo segurança jurídica e previsibilidade para atrair investimentos e gerar desenvolvimento”, afirmou Jardim.

Representando a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, o vice-presidente do colegiado, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), destacou o papel do Parlamento na consolidação do ambiente regulatório necessário para o avanço do setor.

“O Congresso Nacional tem a responsabilidade de garantir segurança jurídica, estabilidade regulatória e previsibilidade para os investimentos em hidrogênio verde. Estamos falando de uma agenda estratégica, que pode impulsionar a reindustrialização do país, gerar empregos e fortalecer especialmente o desenvolvimento do Nordeste”, afirmou.

“O Brasil reúne condições únicas para liderar essa agenda global, com uma matriz energética limpa e competitiva. Cabe a nós, no Legislativo, avançar na regulamentação e criar instrumentos que transformem esse potencial em oportunidades concretas para o país”, completou.

Na sequência, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Arthur Watt, ressaltou o papel do hidrogênio de baixo carbono na diversificação da matriz energética brasileira.

“Estamos diante de uma transformação estrutural no setor energético. O hidrogênio de baixa emissão é parte central dessa agenda e exige um ambiente regulatório moderno, capaz de acompanhar a velocidade dos investimentos e das novas tecnologias”, disse.

O deputado federal Leônidas Cristino (PDT-CE) destacou o potencial do Nordeste como polo estratégico para o desenvolvimento da indústria
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“O Nordeste reúne condições únicas para liderar essa transformação, com energia renovável abundante e localização estratégica. O hidrogênio verde pode ser um vetor de desenvolvimento regional, geração de emprego e renda”, pontuou.

Representando o setor produtivo, o presidente do Conselho da ABIHV, Luis Viga, reforçou a necessidade de avançar na regulamentação para destravar projetos.

“O Brasil já tem projetos estruturantes e investidores prontos. O que precisamos agora é avançar com segurança regulatória e instrumentos que reduzam o custo de capital, permitindo que esses projetos saiam do papel”, afirmou.

Também participaram do evento representantes do Ministério da Fazenda. O subsecretário de Acompanhamento Econômico e Regulação destacou a importância da coordenação entre política econômica e transição energética.

“A transição energética precisa estar integrada à política econômica do país. Estamos trabalhando para criar instrumentos que aumentem a previsibilidade, estimulem investimentos e fortaleçam a competitividade da indústria brasileira”, disse.

Agenda estruturada e chamada à ação

O ponto alto do evento foi a apresentação da Agenda Estratégica 2026 pela diretora-executiva da ABIHV, Fernanda Delgado. O documento reúne as principais prioridades do setor e propõe um roteiro de ações para consolidar o Brasil como protagonista global na economia do hidrogênio verde.

“Essa agenda é um chamado à ação. O Brasil reúne vantagens competitivas únicas, mas precisa avançar rapidamente na organização regulatória e na coordenação institucional para transformar potencial em realidade”, afirmou.

Fernanda destacou que a agenda está estruturada em cinco eixos principais: marco legal, indução de demanda, setor elétrico, financiamento e comércio exterior.

“O grande desafio de 2026 é concluir a regulamentação infralegal do marco do hidrogênio de baixa emissão de carbono. Essa etapa é essencial para viabilizar as decisões finais de investimento e dar segurança aos projetos”, explicou.

A executiva também enfatizou a importância de priorizar projetos estruturantes e de larga escala.
“Precisamos direcionar os instrumentos públicos para projetos com capacidade de adensar cadeias produtivas, gerar escala e ampliar a competitividade do Brasil no cenário internacional”, disse.

Outro ponto central da apresentação foi o custo da energia no processo produtivo.

“Hoje, entre 70% e 75% do custo do hidrogênio verde está associado à energia elétrica. Por isso, previsibilidade regulatória, estabilidade de regras e eficiência no setor elétrico são condições indispensáveis para o desenvolvimento da indústria”, destacou.

Fernanda também chamou atenção para a necessidade de estimular a demanda.

“Ainda temos uma lacuna importante: os instrumentos estão concentrados na oferta. Precisamos avançar no apoio ao consumo, criando mecanismos que viabilizem a conversão industrial e reduzam o custo de capital”, afirmou.

A diretora-executiva ressaltou ainda o papel estratégico do hidrogênio verde na descarbonização de setores-chave.

“O hidrogênio verde é insumo para combustíveis sustentáveis, fertilizantes e produtos industriais de baixo carbono. Ele conecta a agenda energética com a agenda industrial e com a competitividade do agronegócio”, disse.

Impacto na economia brasileira

A apresentação trouxe dados que reforçam o potencial econômico do hidrogênio verde no país. Em um cenário em que o Brasil alcance cerca de 4% da produção global, o impacto pode chegar a R$ 7 trilhões no PIB até 2050.

“Estamos falando de uma indústria capaz de reposicionar o Brasil na economia global, com geração de emprego, renda e inovação tecnológica”, afirmou Fernanda.

Atualmente, a ABIHV representa 13 projetos com decisão final de investimento até 2029, que somam:
• R$ 110 bilhões em investimentos
• R$ 200 bilhões de impacto estimado no PIB
• Mais de 39 mil empregos na fase de construção

“São projetos estruturantes, muitos deles concentrados no Nordeste, com forte vocação exportadora e capacidade de atrair novos investimentos e cadeias produtivas”, completou.

Corrida global e janela de oportunidade

Com a crescente demanda internacional por soluções de baixo carbono, o hidrogênio verde ganha protagonismo na geopolítica da energia. Para a ABIHV, o Brasil reúne vantagens competitivas, mas precisa avançar com rapidez.

“Existe uma janela de oportunidade aberta. O Brasil tem condições de liderar, mas isso exige decisões coordenadas, rapidez na regulamentação e alinhamento entre política industrial, energética e de comércio exterior”, concluiu Fernanda Delgado.

A mobilização no Congresso, segundo a entidade, será intensificada ao longo do primeiro semestre, com foco em regulamentação, incentivos e consolidação de um ambiente de negócios favorável ao desenvolvimento da indústria