Os desafios para transformar o hidrogênio de baixa emissão em uma indústria de escala global foram tema de um dos painéis da Hyvolution Brasil. Com o tema “Como lidar com o novo realismo do mercado de hidrogênio de baixa emissão?”, o debate reuniu representantes da indústria para discutir os avanços e os obstáculos que ainda precisam ser superados para viabilizar projetos, desenvolver demanda e consolidar contratos de longo prazo.

Durante o painel, o presidente do Conselho de Administração da ABIHV e country manager da Fortescue no Brasil, Luis Viga, destacou que o Brasil segue reunindo os principais fundamentos para se consolidar como protagonista global no setor. Segundo ele, fatores como escala, disponibilidade de recursos e uma matriz energética limpa continuam atraindo investimentos, mesmo diante dos desafios relacionados aos custos e à estruturação da demanda.

“O Brasil continua reunindo os fundamentos que fazem tantas empresas apostarem no país. A indústria está passando por um momento de ajuste de custos, mas estamos nos estágios iniciais de uma nova cadeia produtiva. À medida que os projetos ganharem escala, os custos tendem a cair, assim como aconteceu com as energias eólica e solar”, afirmou.

Viga ressaltou ainda que a principal dificuldade atual está na consolidação dos contratos de compra de longo prazo, conhecidos como offtakers. Embora existam negociações avançadas, a ausência de mecanismos regulatórios mais consolidados em mercados consumidores, especialmente na Europa, ainda representa um entrave para a assinatura dos contratos.

Já a CEO da ABIHV, Fernanda Delgado, apresentou um panorama da atuação da associação nos últimos anos para apoiar a construção do ambiente regulatório e institucional necessário ao desenvolvimento da indústria do hidrogênio verde no Brasil. Ela destacou a participação ativa da entidade nas discussões sobre o marco legal do setor, adicionalidade, conteúdo local e combustíveis marítimos de baixa emissão.

“Nesses dois anos e meio de existência da ABIHV, participamos ativamente de todas as discussões estratégicas para o setor. Tivemos diálogo constante com instâncias parlamentares e executivas e contribuímos para pautas importantes relacionadas ao desenvolvimento da cadeia do hidrogênio no Brasil”, destacou.

Fernanda também ressaltou o avanço da agenda internacional da associação, que vem fortalecendo o relacionamento com instituições e mercados estratégicos para a exportação de produtos derivados do hidrogênio verde. Entre as iniciativas, estão reuniões bilaterais com organismos europeus, bancos de desenvolvimento e entidades globais ligadas ao setor.

“A palavra mágica hoje é offtaker. É o ticket dourado para produtores e para toda a cadeia de desenvolvimento. Os avanços estão acontecendo, ainda que em um ritmo mais lento do que o imaginado inicialmente. Por isso, seguimos ampliando nossa agenda internacional para entender a evolução dos mercados consumidores e como o hidrogênio verde, o e-metanol, a amônia e os fertilizantes verdes brasileiros poderão se inserir nesse cenário”, afirmou.

Os especialistas também destacaram que 2026 será um ano de desafios para o setor, marcado por um ambiente político e econômico mais complexo, mas reforçaram que os avanços regulatórios, a consolidação da infraestrutura e o fortalecimento das relações internacionais seguem criando condições para o desenvolvimento da indústria brasileira de hidrogênio de baixa emissão.